TRIBUNAL: S01E02 - Better Call Saul

Publicada em 20:02 - 22/02/2015 por Zeca

O juiz declara aberta a sessão do julgamento de “Better Call Saul”, série spin-off do sucesso “Breaking Bad”. Encontram-se presentes o advogado de defesa do réu, Dr. Cesar Filho e o promotor de justiça e autor da ação, Dr. Gugasms.

Silêncio no tribunal. Com a palavra, Dr. Gugasms.

Senhoras e senhores do júri, hoje venho aqui diante de vocês para defender a pena de morte. Sim, a pena de morte das séries. Por que não deixamos mais as séries morrerem em paz? Temos mesmo que ficar criando remake, reboot, prequel, spinoff, websérie, quadrinhos? Não, não temos. “Breaking Bad” acabou muito bem. Não deixou dúvidas, mistérios, finais inacabados. Todos os personagens se encaixavam bem na história, e o final não deixou nenhum fã chupando o dedo. Ninguém, depois do fim de “Breaking Bad”, parou e falou: “Hmmm, foi bom, mas eu queria tanto saber mais da vida do Saul Goodman.” Ninguém falou isso, porque a série fez um ótimo trabalho em encaixá-lo naquela história e ele nem era um personagem tão bom assim, vamos ser sinceros, né? “Ah, mas se fosse para fazer um spinoff de ‘Breaking Bad’ que fosse com um personagem cuja história não conhecíamos.” Claro, só que não precisava existir um spin-off de “Breaking Bad”. “Better Call Saul” foi só um artifício do canal AMC de continuar explorando uma fonte de dinheiro e enganar troxões (vocês que estão curtindo essa série). Foi que nem quando a NBC fez aquele spinoff “Joey”, de “Friends”. Qual é a necessidade disso? (Imaginar foto daquele cachorrinho aqui.) E não estou falando que a série é necessariamente ruim. O texto é bom, o elenco é bom e provavelmente vai ficar boa o suficiente para eu engolir tudo que estou falando agora, mas não tinha a menor necessidade nem de começá-la. Em vez de incentivarmos a produção de novas ideias, provamos mais uma vez que a TV americana está certa em reciclar e reaproveitar ideias antigas. E olha que eu estou ansioso para “Heroes Reborn”, que eu sei que será horrível, mas né... Isso não é bom, eu me sinto sujo! Em conclusão, chegou a hora de deixarmos as coisas acabarem e seguirmos em frente. Chega de reboot, remake, spinoff, chega de 18 sequências de filmes (menos de “Velozes e Furiosos”, pode ter até 20 que vou assistir todos). Vamos ter ideias novas, pelo amor de Deus!

E agora, com a palavra, a defesa.

Olá, senhoras e senhores. Eu... nossa, que camisa bonita a sua... Er... Eu não acho que o senhor Gugasms esteja errado. De fato, a televisão e o cinema precisam parar de reciclar ideias. Tanto é que já argumentei isso neste mesmo local da web. Porém, Meritíssimo, em minha opinião, isso não se encaixa na série “Better Call Sall”, o réu em questão. Por um simples e crucial fato: diferente de “Joey”, exemplo citado pelo promotor, o réu é produzido, dirigido e escrito pelo mesmo gênio por trás de sua série-mãe. O gênio da televisão, Vince Gilligan. O que Gilligan e sua equipe construíram em “Breaking Bad” não foi apenas uma série com roteiro excelente. Boa parte da excelência da série estava nos detalhes visuais, no cuidado cinematográfico que tinham com ela. Não era apenas uma história boa de se acompanhar, era uma história boa de se ver. Compreendem? Sim, “Breaking Bad” acabou com tudo fechado, tudo redondo, de uma maneira para ninguém colocar defeito. Mas “Better Call Saul” não foi criada com a intenção de ser a sexta temporada de sua antecessora. E sim com a intenção de ser uma série moderna do século XXI que anda com as próprias pernas e não precisa da aprovação de ninguém. Bob Odenkirk está excelente no papel de Jimmy McGill, se soltando de uma forma que não podia na última encarnação do personagem, já que era um coadjuvante. Acompanhando o líder da história, também está um elenco afiado, que pode ainda não ter mostrado muito a que veio, mas que não deixa a desejar. Tudo isso, claro, sendo comandado pelo já citado genial cuidado que os produtores têm com a história. Senhoras e senhores, o maior defeito de “Better Call Saul” é ser uma série derivada. Muitas dessas séries são completamente desnecessárias e isso acaba por manchar a possibilidade de que as pessoas deem uma chance para a obra. Mas essas pessoas estão equivocadas em não darem essa chance porque quando uma série está em mãos confiáveis, a palavra “spin-off” resume-se apenas a o que ela é: apenas uma palavra. E francamente, Meritíssimo, em minha opinião, um advogado que critica a existência desse réu e ao mesmo tempo confessa estar ansioso por “Heroes: Reborn” está praticamente fazendo meu trabalho ele mesmo.

Pois bem. Cabe ao júri decidir o destino do réu, na seção de comentários abaixo.

Da acusação de ser uma série desnecessária, vocês declaram o réu “Better Call Saul” culpado ou inocente?


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