The Sound of Music

Publicada em 22:07 - 07/07/2014 por Zeca

Sem música, a vida não tem graça alguma. Acho que todo mundo que é normal vai concordar com isso. Todo dia eu amaldiçoo a onda de violência que toma conta da minha cidade e não permite mais que eu ande por aí exibindo fones de ouvido ao som da minha banda preferida, por causa do medo de ser assaltado e perder o celular. E como a arte imita a vida, as séries também não têm graça sem música. Claro que existem algumas exceções. Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, disse que não gostava de adicionar música em muitas cenas da série porque ele não queria que a música dissesse o que o telespectador devia sentir. Bom, o Sr. Gilligan que me desculpe, mas apesar da música não fazer falta por quase toda a história, o fim de Breaking Bad sem "Baby Blue", do Badfinger, não teria a menor graça. Eu até entendo o ponto de vista dele, mas o uso da música em uma série deve ser justamente para casar com toda a emoção passada pelos atores em cena. Não é como numa novela, onde a música é usada a torto e a direito e banalizada completamente. Na minha opinião, o que dá graça a uma música quando ela é usada na TV é justamente o sentimento de impacto que ela causa. Quando o fã de The O.C. ouvir "Hallelujah", de Jeff Buckley, ele não vai lembrar que era o teminha do Ryan e da Marissa. Ele vai lembrar lá do season finale da primeira temporada. Vai lembrar o que aconteceu naquele momento, o que os personagens estavam fazendo, o que estavam sentindo e ele, o fã, vai lembrar do que sentiu. E é assim que tem que ser. A música e a cena se complementando e fixando a história na cabeça de quem assiste. A cena em que Ted e a Mãe se conhecem em How I Met Your Mother, por mais perfeita e linda (talvez a única do episódio) que seja, seria menos sem o som de "Downtown Train", de Everything But The Girl. Toda vez que escuto essa música (como agora), lembro do sorriso besta que eu coloquei no rosto, vendo algo pelo qual esperei por tanto tempo, me conectando com a história e relacionando o que acontece em tela com o que acontece na minha vida.

Foram as séries que me educaram musicalmente. Antes que eu me viciasse em baixar seriados na internet, eu não tinha um gosto musical concreto. Só não gostava de pagode porque eu fui pra escola e tal, mas tirando isso, não era muito exigente. Foi aí que The O.C. apareceu e me apresentou ao rock indie. O trabalho que começou em O.C., terminou em One Tree Hill. Não conseguiria escrever um texto falando de trilha sonora sem mencionar essa série que carrega uma música no próprio nome. O criador de OTH, Mark Schwahn, estava escrevendo um roteiro de um filme para TV, mas os executivos do canal insistiram que ele transformasse o filme em série. O nome do filme, então “The Ravens”, foi mudado para One Tree Hill, título de uma das faixas do álbum “The Joshua Tree”, do U2. E apaixonado por música que era, Schwahn não parou no título da série e fez com que os títulos de todos os episódios fossem títulos de músicas. Quando falhava em roteiro, One Tree Hill compensava na trilha sonora. Talvez como nenhuma outra série que eu assisti fez, essa conseguiu inserir a música e fazer com que ela cumprisse seu papel da melhor maneira: fixando a história na cabeça de quem assistia, aproximando o espectador dos personagens, fazendo com que ele se identificasse. Fazendo com que ele sentisse alguma coisa. Você sabe que uma série é boa ou que um filme é bom quando você assiste e algo dentro de você muda. Quando, mesmo que por um segundo, você pega o que viu em tela, olha pra si mesmo e pensa sobre algo que aconteceu ou está acontecendo ou sobre alguém que apareceu. Nem que o sentimento não seja tão profundo e só venha na forma de “puta merda, que série foda!”. Quando “Baby Blue” começa a tocar, quando “Downtown Train” começa a tocar, os segundos finais de uma cena de Breaking Bad e How I Met Your Mother estão passando na tela do meu computador e um sorriso bobo está estampado na minha cara: é aí que eu sei que a série e a música se casaram e cumpriram seu papel.

OBS (1).: Qual foi a música que tocou em série que mais te marcou e por quê?

OBS (2).: Amigos pagodeiros:

Significado de piada:

  1. Piada: Conto curto e humorístico, utilizando situações críticas para levar ao riso.

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