Shonda Rhimes e a chatice da morte

Publicada em 11:04 - 27/04/2015 por Zeca

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Não é de hoje que os nossos queridos showrunners usam a morte de algum personagem como ferramenta para movimentar uma série. Mais ou menos como o Fonzie pulando o tubarão lá em Happy Days, esses momentos servem (por muitas vezes) para chamar a atenção. Em séries como The Walking Dead e Game of Thrones, essas mortes se tornam o centro da história. O que, cá entre nós, é bastante preguiçoso. Pra mim, pelo menos. Sempre que eu vejo pessoas enlouquecendo por causa da morte de fulano e sicrano pela enésima vez em uma série, me soa mais como o roteirista não tendo muita ideia do que fazer e querendo agitar as coisas um pouco. Virou moda. Desde LOST que essa prática de contar corpos ganhou um status positivo. Se a série é boa, ela não tem pena dos personagens e mata qualquer um. Mas existe uma grande diferença entre chocar pelo bem da história e chocar pelo bem do choque. Em Game of Thrones e The Walking Dead, o número grande de mortes pode até ser compreendido, embora não seja menos irritante. Afinal de contas, são duas histórias de extremos. Uma conta a história de uma guerra ao poder e a outra conta a história de um grupo de sobreviventes num mundo repleto de zumbis. Quer dizer, por mais que algumas mortes possam se encaixar na categoria de "just for the lolz", não dá pra dizer que não faz sentido. É uma guerra. É um mundo do apocalipse zumbi. Não dá pra fazer omelete sem quebrar ovos, né? O que não é um caso de uma certa série queridinha de muitos usuários da InSUBs. Uma série que já tá no ar há bastante tempo. Aquela que é campeã de mortes completamente desnecessárias: Greyza Natomy.

Não adianta me olhar com essa cara, Shondinha. Você sabe que eu tenho razão. A coisa lá no hospital de Grey’s funciona mais ou menos assim: quer sair da série? Vai morrer. Brigou com alguém? Vai morrer. Chegou atrasado? Vai morrer. Entrou no elenco? Vai morrer. Às vezes, não precisa nem fazer nada. É só estar passando assim pelos estúdios em que a série é gravada que a tia Shonda vai te olhar dos pés à cabeça, te chamar assim no canto e gritar “OW, CÊ QUÉ MORRÊ?”. Pelo menos é assim que soa. Qualquer série que passe da 7ª temporada já começa a perder um pouco da qualidade e em sua 11ª temporada, Grey’s Anatomy não fica de fora da lista. Até os fãs precisam concordar nessa. Pensem bem em quantas desgraças a Meredith já sofreu. Quantas tragédias já aconteceram nessa novela. Não acham que já chegou num nível serial killer? Que sua querida titia Shonda passou a não respeitar mais os fãs? Por qual outro motivo ela mataria tantos protagonistas, incluindo o mais recente? Ela tem mais duas séries de grande sucesso no ar, provavelmente mais alguma – se pá algumas – em desenvolvimento, mas ainda assim não consegue largar o osso que lhe deu sucesso. Ainda assim, prefere continuar seguindo em frente com Grey’s até que ela passe ER no número de temporadas, matando um elenco atrás do outro, eliminando completamente a possibilidade de que aqueles personagens tenham um final feliz. O final feliz que os fãs queriam que eles tivessem, pelo menos. “AIN MAS A VIDA É ASSIM MESMO, UMA HORA TÁ VIVO E OUTRA HORA TÁ MORTO”. Elizabeth, pelo amor de Deus, Elizabeth. Se eu quisesse assistir A ViDa CoMo ElA É, eu não estava vendo uma obra de ficção. Sim, é maravilhoso que as séries e filmes consigam trazer momentos tão reais, tão humanos, que emocionam e fazem com que a gente se coloque no lugar dos personagens. Essa é uma das maiores belezas desse tipo de arte, MAS TUDO TEM LIMITES, ELIZABETH. Afinal de contas, é por causa desses fãs (que querem todo mundo vivendo feliz pra sempre) que a série ainda está no ar. Foram essas pessoas que durante 11 anos continuaram ligando suas tevêlisões lá na terra do tio Sam e PERMITIRAM que titia Sho, seus roteiristas e seus apetrechos falantes (atores) continuassem ganhando vários obamas. Enquanto isso, tá lá todo mundo morrendo. E vocês aí assistindo e ganhando vários nada. O que antes funcionava bem, chegou num nível ridículo. Shonda Rhimes não respeita os fãs e nem os personagens que ela mesma criou. Mas viver de saídas fáceis e preguiçosas de roteiro e continuar enchendo a carteira de grana é mais fácil do que admitir que já deu. Que é só isso. Que acabou. Que boa sorte.


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