O Selo Frankenstein de Qualidade

Publicada em 20:02 - 08/02/2014 por gugasms

O Selo Frankenstein de Qualidade foi criado pela InSUBs após uma reportagem da Folha em que o diretor de uma empresa de legendagem fez o infeliz comentário: “Fica um Frankenstein.” Teve polêmica, teve xingamentos, teve gente sendo extremista - como em tudo na internet -, mas será que ele estava tão errado assim?

Eu fui tradutor da InSUBs por 4 anos antes de virar profissional há 3 e posso comprovar que são mundos muito diferentes. Enquanto em equipes como a InSUBs as legendas são traduzidas por cerca de 5 pessoas, no meio profissional, cada etapa é feita por uma pessoa diferente, inevitavelmente resultando numa legenda muito mais uniforme.

É claro que erros podem passar despercebidos nas duas situações, mas se usarmos a Matemática (que eu obviamente não vou usar porque, se soubesse, seria engenheiro, não tradutor), a probabilidade de erros de padronização é muito maior na legendagem amadora.

Eu certamente já postei legendas cagadíssimas e “Frankenstein” às 4h da manhã depois de revisar duas ou três legendas numa noite só porque os “fãs” não aguentavam esperar um dia pra ver o episódio, assim como também já vi legendas amadoras em que o mesmo personagem tinha 3 nomes diferentes durante o filme. E esses erros acontecem. Somos humanos. O meu problema, na verdade, é que as pessoas tratam dois pesos como uma medida só.

Se uma empresa séria de legendagem mandar para o cliente uma legenda em que o personagem tem 3 nomes diferentes, essa empresa provavelmente nunca mais vai prestar serviços para esse canal e vai ter muita dificuldade em conseguir novos clientes. É igual para um tradutor profissional. Já uma equipe amadora, se fizer o mesmo, pode simplesmente editar os nomes depois, pedir desculpas e seguir em frente, porque a cobrança é muito menor. Eu senti isso na pele, eu não posso errar da mesma forma que errava quando traduzia para a InSUBs. E foi isso que o cara da empresa quis dizer.

Não estou falando que um é melhor que o outro nem quero comparar qualidade, porque, como em qualquer área, há trabalhos bem feitos e mal feitos nos dois lados, mas o que me irritou mesmo foi ver os comentários extremistas e mal educados das pessoas em relação à reportagem que queria apenas dizer: “Olha, galera, a coisa não é tão simples quanto vocês pensam, tá? Os canais estão fazendo o possível, ok?” Então, antes de xingarem os tradutores profissionais, canais e empresas, botem a mão na consciência e falem: “Será que vale a pena?”

 

*O texto acima foi escrito depois de uma semana de pouquíssimas horas de sono, então, se não estiver fazendo sentido, botem a mão na consciência e falem: “Será que vale a pena xingar o pobre colunista?”


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