O que significa a volta de Heroes?

Publicada em 14:03 - 16/03/2014 por Zeca

Antes de mais nada, gostaria de dizer ao amigo Gugasms que respeito todos os argumentos usados por ele em defesa do retorno de Heroes. O fato de eu não concordar com ele se deve apenas ao desgosto que eu possuo para com a série, mas deixarei esse desgosto de lado e usarei essa ressurreição apenas como exemplo para formar minha crítica em relação ao cenário atual da TV. E para não ser injusto e dar espaço para alguém dizer “Mimimi, Cesar! Você só quer pagar de espectador de série cult! Mimimi!”, vou usar minha watchlist atual como base.

Atualmente, eu assisto – ou tento assistir – por volta de 38, 40 séries. Óbvio que não faço isso semanalmente, até porque não teria tempo para respirar. Algumas estão em dia, outras, como diria o OrangoTag, “bem atrasadinhas”. Destas 40, contei apenas oito séries que considero como algo que eu nunca havia visto ou ouvido falar que existia na vida. Todas as outras se encaixam nas categorias: “já existia série com essa dinâmica” e “adaptação de outra obra”. Então, pegando esse absurdo como exemplo, eis a minha pergunta: onde foi parar a originalidade da TV? Heroes foi uma série como nunca antes vista no ano em que estreou? Sim, até foi. Mas de lá pra cá, esse gênero deixou de ser novidade, então por que cargas d’água trazer de volta algo antigo? Por que não arriscar no novo? Entra ano e sai ano e tudo que eu vejo são pilhas de séries que seguem à risca a regra Chacrinha: “nada se cria, tudo se copia”.

Até mesmo as séries que surgiram como inovadoras caíram numa mesmice insuportável. O maior exemplo disso: The Big Bang Theory. Quando a série começou, em 2007, a temática nerd que ela trazia era algo que, ao menos pra mim, nunca havia recebido tanta atenção. Mas ao invés de evoluir a história e desafiar os personagens, nós tivemos sete e teremos ao menos mais três anos de Sheldon sendo chato. “AINNNN, CESAR! Mas se for assim, o Chandler sempre foi o sarcástico de Friends e você ainda defende a série!”. É? Vamos analisar. Chandler foi apresentado como um personagem que tem medo de relacionamento, com uma vibe gay, que nunca iria casar. Passam-se quatro anos e os roteiristas resolvem juntar ele e a Monica, transformando completamente a dinâmica da série. E ao final da sétima temporada, eles estavam casados e a um ano de pensar em ter filhos. Enquanto isso, TBBT está chegando ao fim da sétima temporada e as bazingueiras de plantão ficaram de pepeca úmida só porque o Sheldon deu um beijo. UM BEIJO. Desculpa aí, mas isso é chover no molhado.

Hannibal é o prequel de Silêncio dos InocentesBates Motel é o prequel de PsicoseGotham será o prequel de Batman. Tudo bem que não são terríveis, mas por que se apoiar em histórias famosas e não se esforçar pra nos entregar outraBreaking Bad, outra True Detective? Por que sempre um grupo de amigos desajeitados, um policial durão com coração de ouro, um detetive com habilidades especiais? Pra que diabos procurar por outra LOST? Hollywood precisa deixar a preguiça de lado e obrigar os espectadores a gostarem de mudanças. Hoje em dia, nós temos uma porrada de mentes criativas mundo afora prontas pra fazer isso. Por que não investir nisso? Até usem as mesmas temáticas, mas de maneira inovadora, sabe? Chega de adaptação, de spin-off, de remake. Levantem suas bundas fétidas da cadeira, abram seus notebooks no Starbucks mais próximo e nos deem algo original, por favor.


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