Filmes reflexivos e a influência da arte na vida pessoal

Publicada em 22:04 - 13/04/2018 por ziggy

Por mais que escrever seja uma das coisas que eu mais goste de fazer, precisar escrever periodicamente sempre foi uma batalha para mim. Chega o dia de postar algo, e o total de ideias é zero. Algo comum, imagino.

A arte, no geral, é capaz de trazer reflexões e mudanças profundas na vida de qualquer um que corretamente a aprecie. Eu poderia trazer uma lista imensa de filmes que já me fizeram pensar muito sobre acontecimentos na minha vida, que me influenciaram a ter certas atitudes e tomar certas decisões, após longas reflexões que a vida daqueles personagens, tão semelhantes à minha, me fizeram ter. 

Assim, depois de muita indecisão tentando escolher um só, resolvi hoje falar brevemente sobre 3 filmes que me marcaram emocional e psicologicamente.

  • Sinédoque, Nova York (2008)

Primeira direção do aclamado roteirista Charlie Kaufman, Sinédoque, Nova York é um filme forte, que mistura a realidade com a fantasia. Traz a história de um diretor teatral que leva a sua arte e seu sonho de dirigir uma grande peça como formas de contornar os seus sintomas autodestrutivos gerados pela depressão e por todos os problemas psicológicos que acompanham em a crise existencial que vive.

Aos poucos, transforma a peça de teatro em representações da sua própria vida, fazendo com que sintamos toda a carga emocional do personagem de Philip Seymour Hoffman, com todos os seus medos, pessimismos, o peso da memória, o medo da morte e do sofrimento, sua dificuldade com as suas relações pessoais (principalmente com a esposa e com a filha), etc. Kaufman fez arte ao falar - bem - da própria arte.

Eu tentei escrever um texto inteiro sobre esse filme, mas senti que não conseguiria organizar todas as ideias. Na verdade, acredito que nem nesses dois parágrafos consegui. Só assistindo pra me entender. ;)

  • Não Sou Eu, Eu Juro! (2008)

Canadense com estética francesa, dirigido por Philippe Falardeau, Não Sou Eu, Eu Juro! deve te surpeender muito.

É a história da criança de imaginação fértil, com vizinhos chatos, pais que brigam o tempo todo etc. León, então, passa por momentos de muita confusão em sua vida. Após sentir o abandono da mãe, que viaja para a Grécia, combinado com a ausência do pai, León começa a agir inconsequentemente, tentando resolver o seu problema fugindo da realidade, mas com amor a sua família, já que sente ser o motivo de todos os problemas que os impede de ter uma vida normal. Desconhece a gravidade de tudo (aliás, é apenas uma inocente criança abandonada), inclusive da morte e do suicídio.

Apaixona-se, mente, rouba, vandaliza, reflete sobre a vida, tenta suicídio, foge etc. León vive intesamente cada situação, mas não como uma criança deve viver. É um filme extremamente triste, mas que esconde sua tristeza, talvez como o próprio protagonista o faça, fazendo com que em muitos momentos o filme pareça apenas a história de uma criança bagunceira, extrovertida e apaixonada, enquanto na verdade é um filme cheio de sentimentos, dramas e profundas reflexões.

A vida não é feita para mim, mas eu pareço ter sido feito para a vida.

  • Frances Ha (2012)

Eu conseguiria facilmente persuadir alguém a assistir Frances Ha simplesmente mostrando a cena da Frances dançando por Nova York ao som de David Bowie, não conseguiria? 

Com um gostinho de Nouvelle Vague, o 7º filme de Noah Baumbach, Frances Ha traz uma aspirante a bailarina buscando um rumo para a sua vida, que passa por uma fase de fortes mudanças que, como todos sabemos, quase sempre são difíceis de aceitar, mas que mesmo assim Frances (interpretada por ninguém menos que Greta Gerwig), tenta levar sempre com otimismo e espontaneidade. Um filme para facilmente se identificar e se emocionar. 

Permitam-me que encerre o texto com a transcrição de um trecho marcante desse filme:

“É isso que eu quero em um relacionamento, o que meio que explica porque estou solteira agora. É difícil de explicar. É uma coisa quando você tá com alguém e você ama a pessoa e vocês sabem disso. Vocês estão juntos, mas é uma festa, sabe? Os dois estão conversando com pessoas diferentes. Você tá lá sorrindo e olha para o outro lado da sala e vocês trocam olhares. Mas não porque são possessivos ou que seja algo sexual, mas apenas porque aquela é a pessoa da sua vida. E isso é engraçado e triste, mas só porque esta vida vai terminar. E  é esse mundo secreto que existe bem ali em público, mas imperceptível, que ninguém vai ficar sabendo. É tipo como dizem, uma outra dimensão que existe ao nosso redor, mas não temos a habilidade de notar. Sabe? É isso. É isso que quero de um relacionamento. Ou da vida, eu acho. Amor. Parece que estou viajando, mas não estou".

 

FRANCES HA ESTÁ DISPONÍVEL NA NETFLIX E NÃO SOU EU, EU JURO! NO YOUTUBE.

 


Outras postagens



Comente

Parceiros

Podcast

Facebook

InSUBs - Qualidade é InSUBstituível © 2007 - 2018 - Termos e condições de uso.