Dramatics, Your Honor

Publicada em 18:04 - 06/04/2014 por Zeca

Esse texto pessoal é uma carta aberta - de despedida - a Equipe InSUBs como um todo. Se você não gosta desse tipo de discurso, sugiro que não continue a leitura.

 

Há muito tempo atrás, em 2007, eu fui convidado a fazer parte da Equipe InSUBs. Foi no dia 02 de dezembro daquele ano que meu nome apareceu em uma legenda da equipe pela primeira vez. Três meses antes, meus pais haviam se divorciado e naquele mesmo mês, eu me mudaria para um novo apartamento. Um recomeço assustador, embora aliviante de certa forma. Nos meus 16 anos e quase 6 meses, tudo que eu queria era uma saída para meus problemas de casa e do colégio. Quando aquela que viria a ser minha primeira chefe, a fundadora da Equipe InSUBs, FláP, me convidou a fazer parte desse grupo, mal sabia ela (nem mesmo eu) que estava me proporcionando exatamente o que eu queria. E mais que isso, eu consegui aquele sentimento pelo qual todo mundo procura uma vez na vida: o de fazer parte de algo importante. Foi assim que começou o mais longo relacionamento que eu já tive até então: minha participação na maior equipe de legendas do país.

 

Em março de 2007, o canal americano ABC estreou uma série chamada October Road. O protagonista da série era Bryan Greenberg, que havia feito parte do elenco de One Tree Hill durante as primeiras temporadas. Naquele ponto, eu já era viciado em séries o bastante para ficar acompanhando o movimento das comunidades no Orkut. Lembra do Orkut? Pois é. Eu fui administrador das comunidades “The O.C. - Brasil” e, depois, da “October Road - Brasil”. Por mais que seja um passado condenável, foi lá que eu conheci FláP e Paulenha, legenders da equipe SóSéries que me convidaram a participar da legenda do episódio 1x05 de October Road. Não lembro quantos minutos eu precisava traduzir, mas lembro a batalha que foi tentar entender o que o personagem do Bill Cobbs estava falando. A tradução foi feita do áudio sem auxílio de closed caption e o velho não possuía a habilidade de falar pra fora. Por mais difícil que tenha sido, eu curti. É estranho isso porque tive que responder diversas vezes a pergunta “Por que você faz legendas?” com um “Ah, porque eu gosto.” sem saber exatamente o porquê. Dá trabalho e é cansativo. E cá estou eu, seis anos depois, sem saber o motivo, mas ainda insistindo na resposta. Foi a primeira legenda que eu fiz na vida e alguns meses depois, quando a segunda temporada daquela série estreou e a equipe SóSéries não mais existia e ninguém mais estava fazendo as legendas, resolvi tomar conta da situação sozinho. Baixei a closed caption e traduzi o episódio 2x01 praticamente inteiro. Foi então que surgiu, através da FláP, o convite de fazer parte da recém-nascida Equipe InSUBs. Aquele foi o ano em que eu terminei um namoro pela primeira vez, foi o ano em que eu caí de uma escada e passei a noite no hospital, o ano em que eu parti o coração de alguém pela primeira vez e o ano em que meus pais se divorciaram. Em dezembro, ao fim dele, quando eu estava me mudando pra um apartamento onde, pela primeira vez na vida, eu não moraria com meu pai, tudo que eu queria era escapar disso tudo. Junto com os poucos amigos que eu tinha, as séries e a InSUBs cumpriram o papel de ser essa saída que eu buscava naquela época.

 

Os três anos que seguiram aquele passaram dolorosamente devagar. Aquela história de que o tempo passa devagar quando você está fazendo algo que não gosta ou quando está em algum lugar que não quer estar é verdadeira. 2008 foi o último ano do colégio e eu nunca quis tanto algo na vida como queria que aquilo terminasse. Naquele ano, quem assistiu October Road, Gossip Girl (desculpa, pai) e Chuck, viu meu nome nas legendas. Eu me dividia entre legendas e estudos enquanto contava os segundos para pisar no meu colégio pela última vez. Infelizmente, o final do ano me trouxe outro tombo inesperado: em dezembro, eu perdi o meu avô. Enquanto as minhas saídas (InSUBs, amigos e séries) continuavam por ali, eu assistia a vida me dar um chute atrás do outro. 2009 e 2010 foram os anos em que mergulhar nesse hobby foi mais importante do que qualquer outro ano. Depois que eu terminei o colégio, fiquei esperando pelo resultado do vestibular - havia prestado pra Arquitetura - e, sem surpresas, fui reprovado. Foi aí que começou o período mais solitário da minha vida. No meu apartamento, morávamos apenas eu, minha mãe e minha irmã. Minha mãe passava a semana inteira fora e minha irmã o dia inteiro fora, trabalhando e estudando, respectivamente. Ou seja, éramos só eu e as paredes brancas. Os dias se passavam e a inércia na qual eu me encontrava começou a ficar confortável, tanto que passei a gostar dela com o tempo. A esse ponto, eu já estava legendando cinco ou sete séries e eram elas que me ocupavam. E só pro universo não perder o costume de colocar o pé pra eu tropeçar, foi naquele ano que minha avó foi diagnosticada com câncer. Ao final de 2009, entrei num cursinho pra tentar o vestibular pela segunda vez, dessa vez pra Jornalismo. Como vocês provavelmente já devem presumir, eu também não passei. Vamos recapitular: levei um toco, caí de uma escada, meus pais se divorciaram, perdi meu avô, minha avó descobriu que estava com câncer e fui reprovado no vestibular duas vezes seguidas. Depois dessa shitstorm, não seria nada menos que justo que 2010 fosse um ano bom, certo? É claro que não. Apesar de ter começado bem, 2010 foi o ano em que eu levei outro toco e quando eu tive que trabalhar num lugar horrível, só pra sair um mês depois por não aguentar mais. Foi o ano em que eu reprovei no vestibular pela terceira vez e vi minha irmã mais nova entrar na faculdade antes de mim. Sim, os anos de 2007 a 2010 não foram nem um pouco fáceis. Mas por que eu tô choramingando sobre isso e o que isso tudo tem a ver com a InSUBs? Quando você está se afogando, qualquer resquício de fôlego que te reste é uma ponta de esperança. E durante essa época, duas coisas me davam fôlego: meus amigos e as coisas que eu amava fazer. Uma delas era a InSUBs.

 

Como diria Ted Mosby, nada acontece por acaso, crianças. Tudo pelo que eu passei teve um motivo e em 2011, esse motivo começou a mostrar a cara. Depois de ser reprovado pela terceira vez, achei que deveria parar de insistir numa federal e seguir em frente com minha vida, seja como fosse. Foi então que eu comecei a cursar Design Gráfico numa faculdade particular. E ainda bem que o fiz, porque como vocês sabem, a mãe de vocês estava naquela sala. Brincadeira, mas duas pessoas importantes estavam. 2011 foi o ano em que eu mais legendei durante toda minha vida de legender. Foram de 13 a 15 séries, sendo que 10 semanalmente. Entre elas estavam algumas das minhas preferidas. One Tree Hill, que praticamente é o motivo pelo qual eu comecei a legendar, How I Met Your Mother, que se despediu no último dia 31 e foi minha comédia preferida nos últimos anos e meu xodó na equipe, dentre outras. Nessa época, eu já havia deixado de ser só legender e virado revisor. Nunca fui tão ativo na equipe como esse ano, o que me rendeu o posto de administrador, junto com o Elderfel. Sim, um dia eu já mandei nessa bagaça toda. E os queridos administradores que cuidam tão bem da casa hoje em dia foram meus pupilos. Estava tudo bem na faculdade, na equipe, em casa. E, pela primeira vez em muito tempo, eu me considerava feliz. 2011 foi um ótimo ano e está na lista de melhores da minha vida, sem dúvidas. 2012 o seguiu com algumas surpresas. Lembra que eu disse que na minha sala haviam duas pessoas importantes? Uma delas é uma amiga baixinha que soube que um estúdio de design gráfico estava à procura de um estagiário. No fim de 2011, ela me aconselhou a enviar meu portfólio pra eles e em 2012, pra minha surpresa, conquistei a vaga. Você vai ter alguns momentos na sua vida em que se sentirá como se tivesse ganhado na loteria. Aquele era o primeiro que eu teria naquele ano. Parecia que minha maré de azar havia finalmente acabado. Estava tudo bem na faculdade, na InSUBs e, agora, no trabalho. Faltava só uma coisa.

 

Quando você se apaixona mais de duas vezes e leva mais de dois tocos, um ceticismo começa a se criar dentro da sua cabeça em relação a essa coisa doida chamada amor. Em 2012, eu conheci as pessoas que fizeram com que eu quebrasse essa barreira. Quem assiste How I Met Your Mother sabe que antes de você conhecer a mulher da sua vida, você cometerá um último e horrível erro. Nesse ano, eu cometi três. Não entrarei em muitos detalhes, mas deixarei três conselhos que cada um desses erros me proporcionou. É muito importante, então leiam com atenção. Um: relacionamentos à distância nunca dão certo. Dois: se todas as pessoas em que você confia te dizem pra não continuar com alguém porque essa pessoa te faz mal, não continue. Por último, mas não menos importante, três: nunca coloque nos ombros de alguém com quem você se importa a responsabilidade de curar as feridas que outra pessoa te deixou. São três conselhos ridiculamente óbvios, mas, acreditem, necessários. Depois que eu terminei de cometer esses três erros, abri os olhos para o que estava bem na minha frente: a gaúcha que eu estou namorando agora (e que é uma das mais novas rookies da equipe, à propósito). A outra pessoa importante da minha turma era um amigo que, em maio de 2012, me apresentou a essa gaúcha. Depois de algumas idas e vindas (e extrema burrice da minha parte), começamos a namorar em novembro, no Dia de Finados. Eu sei, meu timing é ótimo. 2012 foi um ano cheio e foi nele que eu decidi definitivamente uma coisa: meus dias na InSUBs estavam contados. Com meu trabalho no estúdio e a faculdade me ocupando muito tempo, fui colocando a maioria das séries que eu cuidava pra adoção e me afastando cada vez mais do núcleo da equipe, abandonando, inclusive, a administração dela. Então, era hora de admitir que eu não podia fazer isso por muito tempo, portanto determinei um prazo: o fim de How I Met Your Mother. 2013 veio, conquistou o lugar de melhor ano da minha vida, passou e deu lugar a 2014.

 

Então, seis anos e mais de 450 legendas depois que October Road estreou na ABC, cá estou eu escrevendo minha carta de despedida. O texto acabou sendo mais pessoal do que eu esperava, e eu desviei um pouco do assunto, mas só queria que todas as pessoas com quem convivi na InSUBs percebessem o quão importante minha participação nessa equipe foi pra mim. Porque, enquanto as pessoas davam as costas pra mim e uma merda atrás da outra me acontecia, eu ainda podia entrar no MSN, IRC ou qualquer lugar onde a conversa estivesse rolando e me distrair com os amigos que eu fiz nela. Durante todo esse tempo, eu ainda podia me distrair com esse hobby inexplicavelmente divertido e ajudar os fãs de 28 séries e 6 filmes. Existem poucas coisas na vida que nos ajudam dessa forma e é por isso que essa equipe de legendas sempre terá um espaço especial na minha memória. Aqui na InSUBs eu fiz amigos, ri, assisti e comentei séries que eu amo, acompanhei o nascimento da filha de uma legender da equipe, fui o melhor que eu podia ser e cheguei num ponto em que estava satisfeito o suficiente pra deixar isso pra trás, como uma boa lembrança. E o mais importante, tive o que eu queria: uma saída pra todos os meus problemas. Não foi a única saída, mas com certeza uma das melhores. Quando eu entrei na equipe, eu tinha 16 anos, estava sofrendo e ainda tinha muito sofrimento pela frente. Estou saindo dela com 22 anos, um emprego dos sonhos, uma mulher dos sonhos e um sorriso na cara. Então, InSUBs, fica aqui o meu obrigado por ter ficado do meu lado durante todo esse tempo. Eu nunca vou esquecer vocês. Sinto muito orgulho por ter feito parte desse time e sentirei falta de ouvir: “Ei, vi seu nome numa legenda.”.

 

E pra fechar esse longo e repetitivo texto, eis minha torcida pelo crescimento do grupo, na forma do nosso grito de guerra nas chamadas dos e-mails:

 

Go, go, go, InSUBs!

 

Unfaithfully yours,

 

Zecafi


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