Aquecimento: My Mad Fat Diary

Publicada em 20:01 - 26/01/2014 por Elderfel

Histórias sobre obesidade sempre ganharam um espaço merecido em livros, novelas, seriados, matérias jornalísticas, documentários e qualquer meio de comunicação desde que o mundo começou a se preocupar fortemente com essa doença (sim, é uma doença, apesar de a palavra ser feia), principalmente depois da virada do século. Então se tornou muito comum ver, nesses meios, obesos sofrerem bullying, sentirem-se depressivos e rejeitados, sofrerem de amor platônico porque a pessoa mais linda do mundo não liga a mínima para eles e, mais recentemente, aprenderem a aceitar a si mesmos e não darem importância ao que os outros dizem.

Sendo assim, My Mad Fat Diary já estreou abordando um tema que não é mais novidade. E teria passado batido por mim (que pediu a série para a equipe legendar) se não fosse os constantes posts no Tumblr dos meus amigos e amigas do UK. Não lembro o que me atraiu ali, mas lembro que eu sempre via uma garota obesa (Rae) e alguns guris aleatórios (Chop, Artie, Chloe, Finn, Izzy e Tix), então decidi dar uma chance.

A série traz uma protagonista, Rae (Sharon Rooney), que tenta lidar com seu problema de obesidade enquanto se conecta com Chloe, amiga de longa data, e tenta conquistar Artie, por quem se apaixona à primeira vista. Grande parcela da vida dela mudaria até o fim da primeira temporada.

Eu me impressionei muito com o piloto, pois era a primeira série que eu via em que a obesidade era o “tema protagonista”, não um tema coadjuvante para preencher tempo de tela. Também fiquei impressionado com o fato de não terem feito Rae ser uma coitadinha nem os “guris aleatórios” tratarem-na mal (o que sempre é previsível quando se tem uma história com um obeso e cinco adolescentes super bonitos). Chloe, Artie, Finn, Izzy e Chop se tornariam grandes amigos de Rae, o que provavelmente deixou os fãs da protagonista aliviados, pois, além de ser carismática e cuidar de Tix, que parece ser feita de vidro, ela tinha acabado de sair de um hospital psiquiátrico por querer se matar. A cena em que Rae fica entalada no escorregador da piscina e a cena seguinte a esta (1x01 Big Bad World), além de ser hilária, deve ser o ponto em que a série imediatamente sai do lugar-comum e ganha um merecido destaque sobre muitas séries adolescentes.

A série também tem outros fatores bons: por ser obesa e não conseguir transar, Rae tem um nível altíssimo de libido; temos o adolescente que esconde que é gay e quase sai do armário, só para nos deixar ansiosos para ver no que isso vai dar; a adolescente que engravida e quer abortar; os dois amigos que aos poucos descobrem que se amam, apesar de ter sido óbvio para os outros há muito tempo. Tudo tratado com honestidade, para nos mostrar que não estamos sozinhos.

My Mad Fat Diary também dá grande destaque à banda Oasis, um sucesso na década de 1990 (época em que se passa a série). Muito provavelmente porque a “Rae de verdade” era fã do grupo. Isso mesmo para quem não sabe: Rae Earl existe. Com o livro “My Fat, Mad Teenage Diary”, lançado em 2007, ela publicou escritos de alguns de seus diários sobre como era ser uma adolescente obesa no final dos anos 80.

Esse texto pouco explora a maravilha que é a série, mas tente dar uma chance. Um ponto positivo: são seis episódios por temporada. Um ponto negativo: são seis episódios por temporada. Pelo menos isso ajuda a mantê-la em um ótimo nível, sem enrolações. Além disso, a atuação de Sharon Rooney é de primeira, sem contar o sotaque super carregado e convincente que tem que imitar, pois ela é escocesa, e a série se passa em Lincolnshire, na Inglaterra.

A segunda temporada estreia em fevereiro, no Channel 4.

Os fãs estão ansiosos?

@Elderfel


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